História

Contar a história do Clube Duque de Caxias é contar parte da história do país.

Em 1890 o Brasil havia se tornado uma República Federativa há pouco mais de um ano, e tinha Marechal Deodoro da Fonseca como presidente. Réis era o nome das unidades monetárias de Portugal e Brasil da época.

Foi neste cenário que, na cidade de Curitiba, os imigrantes alemães Heinrich Hilmann, Paul e Rodolf Müller, Hermann Behrens, Ferdinand Senff Jr, August e Anton Loeser e Wilhelm Lindroth e Robert Langer, provindos da região da Baviera e Suábia, Alemanha, fundaram o Teuto Brasilianischer Turn Verein zu Curityba, nas dependências do Theatro Hauer, que a posteriori, foi abreviado apenas para Teuto Brasilianischer Turnverein.

A primeira sede foi construída em 1913 com o apoio financeiro de oito mil réis de 200 membros, localizada no centro da cidade, ficava na Rua Dr. Muricy esquina com José Loureiro. Com o objetivo de propagar a confraternização com outras sociedades, bem como transmitir a tradição aos descendentes e aos que não conheciam a cultura germânica, eram realizadas as festas da Matança e da Cerveja. Ainda havia nos salões apresentações teatrais e de música, Salões da Primavera, Chás de Engenharia, Festa de Páscoa, entre outros grandiosos eventos.

Desde a fundação, a ginástica foi definida como a principal modalidade esportiva da Sociedade. Outras atividades como Basquete, vôlei e bocha também praticados. Ainda havia o bar e restaurante da Sociedade, que por muitos anos, serviu associados e a sociedade curitibana os típicos pratos da gastronomia alemã.

Pouco tempo depois, em 1933, graças ao apoio de mais alguns outros membros e do Governo alemão, o clube pôde comprar um terreno no bairro do Bacacheri pelo valor de 32 mil réis. Isso incentivou os associados a investir em outros esportes como o declatlon, (competição de atletismo composta por dez provas, praticada por homens, incluindo as modalidades 100 metros rasos; salto em distância, arremesso de peso, salto em altura, 400 metros rasos, 110 metros com barreiras, lançamento de disco, salto com vara, lançamento de dardo, 1500 metros), arremesso de peso, dardo, martelo e em novos eventos sociais e culturais. 

Em 1938, o nome da Sociedade sofreu alteração para Sociedade de Cultura Física Jahn, em homenagem ao "pai da ginástica", Friedrich Ludwig Jahn - pois, já naquela época, grandes atividades de atletismo eram exercidas na Sociedade. Porém, em 1942 (apenas cinco anos depois) mais uma vez o nome da sociedade foi alterado devido a forte influência da Segunda Guerra Mundial.

A Lei de Nacionalização, criada no início do Estado Novo na Era Vargas, tinha o objetivo forçar a integração dos brasileiros com as comunidades de imigrantes, vindos em massa ao país no início do séc. XIX. A lei infernizou a vida dos imigrantes alemães e italianos durante o período da Segunda Guerra (1939-1945), já que o Brasil se declarou a favor dos Aliados (liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos) contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

Vigiados de perto pelo exército brasileiro, caso os imigrantes apresentassem algum tipo de empatia pelo nazismo ou fascismo, seriam considerados desertores da pátria que os acolheu. Germânicos, italianos e outros imigrantes europeus, bem como seus descentes, sofreram diversas formas de repressão do governo Vargas - dentre elas a ameaça de serem presos e torturados se não falassem a língua portuguesa em colônias, igrejas, sociedades, e até mesmo em casa. Caso o Exército brasileiro encontrasse alguém ouvindo rádio em outra língua, o mesmo seria confiscado e destruído, bem como qualquer documento que nele estivesse a língua natal do estrangeiro. E é claro que as comunidades germânicas e italianas de Curitiba não escaparam da desconfiança de serem nazifascistas. Dentre eles, a Sociedade de Cultura Física Jahn.

Para acabar com tal desconforto, o presidente da Sociedade da época, Capitão Coronel João Meister Sobrinho, em uma jogada de mestre, mudou o nome da sociedade alemã para o do patrono do Exército Brasileiro, nomeando-o como “Sociedade de Cultura Física Duque de Caxias”. Mesmo assim, muitos documentos sobre a fundação do Clube Duque de Caxias foram escondidas como prevenção, sendo alguns livros de atas recuperados apenas nos anos de 2010 e 2016.

As décadas foram se passando e os associados, eleitos de forma democrática se tornaram presidentes, dirigindo a instituição e se dedicando de modo integral em aperfeiçoá-la, procurando oferecer sempre mais uma oportunidade de convívio amigo e descontraído. No final do ano de 1974, a Sociedade foi, mais uma vez, renomeada para Clube Duque de Caxias – como é conhecida até hoje. Em 1975, a matriz da Av. Dr. Murici foi vendida, mudando a Sociedade definitivamente para o Bacacheri. 

Atualmente o Clube Duque de Caxias é conhecido pelas valiosas equipes de vôlei, basquete, tênis, futebol, futsal, judô, karatê, muai tahy, natação, ginástica olímpica, sinuca, tênis, entre outros, em diversas categorias e naipes, destacando-se o punhobol – esporte provindo da Alemanha e praticado desde 1935, no qual as equipes adultas são consideradas uma das melhores do mundo há quase uma década.

Em termos de infraestrutura, o clube conta com uma Sede Social com capacidade para 450 pessoas, salões de festas, churrasqueiras, campos e quadras esportivas, dois ginásios, academia de musculação, parque aquático com piscina aquecida, sauna, piano-bar, estacionamento próprio e para visitantes e claro, há muito, muito mais.

A cultura germânica também está implícita: há o ensino da língua alemã, a prática da dança folclórica e de grandiosas festas como a Schlachtfest (conhecida como a Festa da Matança) e o Baile do Chopp, bem como a preservação da história da imigração germânica e da fundação do Clube em um acervo restrito, sob posse da Diretoria e aos cuidados do departamento de Marketing. 

A cada 7 de dezembro, o Clube Duque de Caxias comemora mais um aniversário, orgulhoso das diversas gerações que por aqui passaram, vivenciando momentos únicos e inesquecíveis.

Fonte: Presidentes do Clube Duque de Caxias - Pesquisa de Adriane Baldini