O que você sabe sobre consumo consciente? - 01/03/2010
Imagine a cena: no domingo, ao meio-dia, a família inteira está reunida na casa da matriarca. A tradição manda que seja servida uma bela macarronada a bolonhesa em uma mesa extensa. Nela, estão avós, filhos, concunhados e netos. Conversa vai, conversa vêm, e todos mal percebem que aquele momento é também um dos grandes agressores do meio ambiente, e cada vez mais constante e devastador.

Calma internauta, para tudo há uma explicação. Vamos começar do início do dia, quando lhe questiono se a matriarca lavou as latas do molho de tomate e a bandeja que envolvia a carne moída antes de jogar no lixo destinado à reciclagem, bem como destinou corretamente as embalagens do macarrão. Você ainda consegue imaginar o que aconteceu com as garrafas pet de refrigerantes e chás industrializados? E com os guardanapos? Esta é uma cena muito comum do nosso cotidiano e que deve ter atenção diferenciada, simplesmente pelo fato do planeta estar no meio de um colapso - tudo devido ao surgimento de um mundo paralelo, o dos resíduos sólidos - este mesmo que embala e armazena uma infinidade de coisas.
Em 1925, o planeta era habitado por dois bilhões de pessoas. Em menos de 100 anos, a explosão demográfica foi tão grande que hoje nos encontramos em quase sete bilhões. Se a quantidade de pessoas quadriplicou em tão pouco tempo, o cálculo é óbvio: os recursos naturais também estão se esgotando na mesma (e até em maior) proporção.

Qualquer utilidade doméstica feita de plástico ou um papel que será simplesmente rabiscado, com certeza passou por um processo de beneficiamento – que causou impactos ambientais, incluindo a redução da camada de ozônio, o uso excessivo de água ou a queima e o corte de florestas. Ok, mas isso você também já sabe. O que você talvez não saiba é que estes continuam sendo péssimos modelos de beneficiamento industrial, e que quase nada se faz para mudá-los. Ainda, ações como a compra de sacolas retornáveis, escolher produtos que prometem plantar arvores no seu lugar ou que já venham com embalagens recicladas não bastam. Também, não há mais como esperar.
MUDANÇA DE HABITOS
Dar atenção para este assunto é de suma importância, mas ainda assim, faltam informações. Dentre elas está a mudança do significado da palavra “lixo”, que refere-se a “tudo aquilo que não tem qualquer tipo de valor”. Será que tudo o que é jogado fora realmente não tem valor? Aí é que entra um termo usado no vocabulário do brasileiro já há 10 anos, mas tão pouco conhecido: os “resíduos sólidos”, que além de ser tudo aquilo que é descartado, tem valor econômico agregado quando reaproveitado em um processo produtivo. Estes materiais são considerados novamente como matéria-prima para indústrias e artesanato.
Dar destinação correta para os resíduos sólidos é um dos grandes desafios da humanidade. Campanhas são heroicamente iniciadas em diversas cidades, mas se não forem mantidas por um longo período de tempo, são esquecidas por outros interesses políticos ou do próprio cidadão. Estima-se que 64% dos municípios do país depositem os seus resíduos urbanos em lixões a céu aberto, e este número aumenta pois a maioria não conta com nenhum tipo de programa de reciclagem. E o que é pior: a realidade está batendo (e inundando) a porta de todos, pois é devido ao acúmulo de resíduo sólidos que as enchentes estão cada vez mais constantes.
A IMPOSIÇÃO DA MÍDIA
Um dos fatores que ajudam a crescer o monstro dos resíduos sólidos está no consumo imposto pela mídia, das quais crianças são as maiores vítimas. Brinquedos e guloseimas que são apresentadas diariamente na TV podem ser controlados pelos pais, mas só isso não basta. A Associação Brasileira de Pediatria defende que a maioria dos pais controlam o consumo dentro de casa, mas quando os filhos chegam na escola e encontram outras crianças consumindo o que foi proibido dentro de casa, é difícil entrar em um consenso geral. Então, o que fazer? Consumir o menos possível, incorporando no dia-a-dia a palavra REDUZIR, o que ajuda a transformar os cidadãos em cidadãos conscientes de atos de consumo inconseqüente.
TENTAR RESGATAR O LEITE DERRAMADO?
Sendo assim, mudar de atitude é um grande passo para se tornar um consumidor consciente, começando pela escolha de produtos com menos embalagens internas e de materiais que são biodegradáveis já é um bom começo. Pode parecer difícil diante da explosão das facilidades do consumo (afinal, não existe nada hoje que saia do supermercado sem a embalagem), mas é importante saber que cada brasileiro joga fora em média por ano, 90 latas de bebida, 107 frascos de vidro, 70 latas de alimento, 45 quilos de plástico e volume de papel equivalente a duas árvores. Juntando todos os brasileiros, isso resulta em 45 milhões de toneladas de resíduo sólido/ano.
Agora imagine este total nacional somado com o do resto dos outros países. Deu para se ter uma noção do atual problema em que vivemos?
ADOTE A CULTURA DOS 3R, UÉ!
As medidas recicláveis geram não apenas vantagens para a economia, mas grandes ganhos na qualidade ambiental, que têm reflexos em toda a sociedade e principalmente, para nossas crianças. Então, qual seria a sua justificativa para não investir nestas e outras práticas básicas de gestão? Aprenda:
1 - REDUZIR
Consumir menos é fundamental. Hoje, os brasileiros consomem muito mais do que necessário. Calcule: conte quantas vezes você já jogou comida fora (apenas para quem cozinha em casa). Se a quantidade de comida diária for igual ou maior do que couber na sua mão e se esta quantidade for jogada fora dois ou mais dias, você já é um desperdiçador.
2 - REUTILIZAR
É impossível reduzir a zero a geração de resíduos. Mas, muito do que jogamos fora deveria ser mais bem reaproveitado. Potes e vasilhames de vidro e caixas de papelão podem ser úteis dentro de casa ou em associações de moradores. Restos de comida, cascas de frutas e folhas, podem virar compostagem.
3 - RECICLAR
O R mais conhecido é sinônimo de economia de matérias-primas. Vidro, papel, plástico e metal representam, em média, 50% do lixo que vai para os aterros. Além disso, a reciclagem gera muito dinheiro. O economista Sabetai Calderoni, do Núcleo de Políticas Estratégicas da USP e autor do livro "Os Bilhões Perdidos no Lixo", calcula em 5,8 bilhões de reais por ano o total que o Brasil deixa de arrecadar com materiais recicláveis. Uma fortuna equivalente a dezessete vezes o orçamento do Ministério do Meio Ambiente.
PARA CUTUCAR VOCÊ
"Que futuro queremos deixar para nossas crianças?" Esta frase é velha, mas ainda nos faz REFLETIR. Mais do que mudar de hábito, importante também é cobrar os direitos de se querer uma cidade mais limpa, afinal, paga-se impostos para isso.
Procure saber mais sobre a Agenda 21 e todas as diretrizes ambientais que Curitiba oferece.
PARA SABER MAIS, CONSULTE:
http://www.sema.pr.gov.br/
http://www.setorreciclagem.com.br/
http://www.ambientebrasil.com.br/
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